No silêncio da noite, a vida passa lá fora. Fora das paredes, onde há gente que ri e gente que chora. Lá fora, onde há gente faminta e gente que regressa a casa depois de uma noite de excessos. Aqui não se passa nada. Tão pouco tenho certeza que exista aqui gente.
Existe o tempo. Esse tempo arrastado lentamente, nos passos entre o quarto e a varanda pequena. Mais pequena, ainda, que a esperança do tempo. Não devia existir tempo, nem gente com tempo. Amanhã será outro dia. Como ontem. Como no dia antes de ontem. Como no dia depois de amanhã. O tempo e o silêncio são os verdadeiros algozes da vida.
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